Sativa x Indica – Tire algumas dúvidas

 

sativaindica

Cannabis Sativa L. destrinchada.

Todo mundo em algum momento já ouviu a pergunta: “Qual a diferença entre indica e sativa?” Grande maioria já sabe a resposta baseando-se nas características morfológicas. Sativas são normalmente com estatura maior, folhas com os “dedos” mais finos, internós mais espaçados entre outras, enquanto as indicas têm características opostas. Essas diferenças são minuciosamente explicadas em incontáveis sites. Mas vamos além, elas realmente são tão diferentes assim geneticamente falando? Elas são espécies diferentes?
Existe um certo debate no meio acadêmico, mas o modelo mais aceito é que TODAS as maconhas são a mesma espécie! Todas são Cannabis sativa L., incluindo o cânhamo e a Cannabis ruderalis Janisch..Então por que tanta confusão? Parte da culpa é histórica e outra parte é conceitual. Vamos comentar um pouco da parte histórica primeiramente.

Resumo histórico

Em 1753 Carl Linnaeus, naturalista sueco e pai da taxonomia moderna, classificou a planta como Cannabis (gênero) sativa (espécie), esta já era muito bem conhecida na Europa toda. Mais tarde em 1785, o naturalista Jean-Baptiste Lamarck após encontrar uma planta na India muito parecida com a que Linnaeus havia classificado anteriormente nomeou-a como Cannabis indica Lam. dita por ele como pobre em fibras e com poder inebriante. No início do século XX, outras “espécies” foram descritas na China, Vietnam e a mais famosa delas, Cannabis ruderalis Janisch., foi descrita na Rússia em 1924. Essas diferentes classificações são devido ao fato que na época desses pesquisadores acreditava-se que todos os gêneros eram monotípicos, isto é, cada gênero tem uma espécie. O conceito de subespécie não existia.

Conceito de espécie

A outra parte da culpa, refere-se ao conceito de espécie já que esse não é universal. Existem dois conceitos mais usados para espécie: o primeiro (que é o que está nos livros de colégio e mais aceito na comunidade científica) diz que espécies são grupos de populações naturais efetiva ou potencialmente reprodutivas que são reprodutivamente isolados de outros tais grupos, ou seja, espécies diferentes não cruzam entre si e o outro diz: populações que são fisiologicamente capazes de cruzamentos, mas morfologicamente e geneticamente divergentes e isolados pela geografia ou a ecologia, às vezes são considerados como espécies separadas. Vamos levar o primeiro conceito como o correto, por ser mais aceito. Sendo assim, se fossem espécies diferentes não poderiam cruzar entre si, portanto não poderiam existir as variações híbridas (cruzamento entre sativa x indica etc), entendem?
Deu pra perceber que nossa planta está presente em todo o globo. Isto é devido a sua característica evolutiva de facilidade de adaptação frente às pressões do meio ambiente (vale lembrar as aulas de biologia do ensino médio: seres vivos não escolhem se adaptar e sim que o meio seleciona os mais adaptados. Seleção natural, lembra?). Isto explica a grande diversidade morfológica que cada variação possui e a confusão em caracterizá-las, ainda mais contando que há quase 300 anos atrás nós não tínhamos as ferramentas necessárias que temos hoje.
Portanto, toda ganja que usamos é uma Cannabis sativa e, dependendo do uso, escolhemos as subspécies que nós convém.

Texto:

Luís Fernando Pontual, biólogo e militante antiproibicionista.

2 Comments

  1. José Gustavo Vieira Adler

    excelente texto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *