Maconha Medicinal e dor crônica

dorcronicaO uso da Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, tem uma longa história na medicina com inúmeras indicações de tratamento e melhora da qualidade de vida dos usuários.

Uma das indicações mais importantes é para o tratamento da dor crônica, que afeta cerca de 35% da população mundial e atualmente é um problema de saúde pública, devido ao aumento da sua prevalência, gerando um alto consumo de medicamentos e significativo impacto social e econômico.

De acordo com a Associação Internacional para o estudo da dor (IASP) a dor é definida como: “Uma experiência subjetiva e pessoal, envolve aspectos sensitivos e culturais que podem ser alterados pelas variáveis socioculturais e psíquicas do indivíduo e do meio”.

Com isso, pode-se perceber que a dor é muito mais do que apenas um problema físico, é um problema que incapacita pessoas, que as deixa sem ânimo para suas atividades diárias e acaba por causar outros problemas em consequência disso. Não é fácil conviver todos os dias com a dor, tomar medicamentos, não sentir melhora total e por vezes até desenvolver efeitos colaterais.

Pesquisas recentes baseadas em entrevistas com portadores de dor crônica indicam que os tratamentos atuais com medicamentos analgésicos, principalmente para Fibromialgia (http://www.fibromialgia.com.br/), não são eficazes para diminuir os sintomas dessa doença, o que encorajou a busca pelo alívio das dores através da maconha medicinal.

As substâncias ativas da maconha, conhecidas como canabinóides, têm sido utilizadas no tratamento da dor por muitos séculos. Mesmo com os avanços das pesquisas cientificas na área, que já comprovaram a existência do sistema endocanabinóide no organismo humano, um sistema composto por dois tipos de receptores naturais (CB1 e CB2) para os canabinóides, o estigma sobre a droga e seu efeito psicotrópico ainda é uma barreira para popularização dessa possível terapia.

Em um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA), com pacientes que já faziam uso de algum medicamento analgésico para controle da dor na fibromialgia, 62% dos pacientes que tentaram maconha medicinal avaliaram ela como “muito eficaz”, outros 33% disseram que “ajuda um pouco” e apenas 5% sentiram que o uso de maconha para a fibromialgia “não ajuda em nada”. Ainda houve pacientes que relataram que nada além da maconha medicinal funciona para eles, mais um fator para se levar em conta sobre a subjetividade da dor para cada pessoa e do efeito terapêutico da maconha.

Outra pesquisa anterior trouxe uma reflexão muito importante sobre o uso medicinal da maconha. Foi avaliada a eficácia da Nabilona (figura 1.), um medicamento sintético análogo ao THC (canabinoide presente na maconha) em comparação com uso da maconha in natura. A Nabilona mostrou reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas ainda assim a maioria dos pacientes prefere a maconha in natura ao invés de versões sintéticas, que são conhecidas por terem efeitos colaterais mais potentes.

cesamet

Figura 1. Nabilona veiculada comercialmente como Cesamet®

A uso da maconha medicinal tem crescido no manejo da dor crônica, sendo um fato diferencial em relação aos medicamentos convencionais devido aos relatos dos pacientes de melhor percepção de bem estar, associada à diminuição da ansiedade e melhora do sono com o uso dos canabinóides, resultando na diminuição de outras prescrições médicas e uma melhor qualidade de vida.

Texto:

Victória Dias é militante antiproibicionista, estudante de Farmácia da Universidade Federal da Bahia e membro do Coletivo Balance de Redução de Riscos e Danos.

One Comment

  1. AUGUSTO ALBERTO CROESY NETO

    Parabéns Vitória Dias, pela bela pesquisa.
    A cada dia que passa mais benefícios são encontrados nos princípios ativos da cannabis.
    O que não podemos aceitar são as barreiras preconceituosas e pretensiosas que não permitem a liberação geral e irrestrita dessa erva milagrosa.
    Abraços fraternos.

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