Californianos buscam mercado bilionário com legalização da maconha

folha

Ainda não se sabe se os californianos irão aprovar o uso recreativo de maconha no Estado, mas muitas pessoas já se movimentam para estarem preparados para o novo mercado que pode surgir. Centenas de habitantes já se preparam para entrar no mercado bilionário da maconha – especialistas estimam que até 2020 pode chegar no valor de U$ 4 bilhões de dólares.

Com uma população estimada de 40 milhões de habitantes e um tradicional comércio de maconha medicinal, regulamentado há mais de 20 anos, a Califórnia já possui o maior mercado de maconha legal dos EUA. Com a regulamentação do uso recreativo da planta, estima-se que a arrecadação chegue a U$ 1 bilhão em impostos adicionais por ano.

Se a medida votada no último dia 28 for aprovada em novembro, a Califórnia será o quinto (e maior) Estado a permitir o uso recreativo da maconha, juntando-se a Colorado, Washington, Oregon e Alasca, além do distrito de Colúmbia.

Em 2010 uma tentativa semelhante de regulamentação para fins recreativos não foi aprovada, mas pesquisas recentes mostram um forte apoio à nova medida. A iniciativa mais recente é apoiada por líderes da corrente dominante no Estado, incluindo o vice governador Gavin Newlson, que ajudou a formular o processo de regulamentação e a tributação dos impostos a serem arrecadados.

folha2

Oportunidade de Negócio

Oito outros Estados americanos, incluindo Nevada e Maine, têm propostas semelhantes a serem encaminhadas para votação em 2016. O fato da Califórnia representar a sexta maior economia do mundo significa que a tendência dos seus eleitores em legalizar a maconha poderá acelerar esse processo em muitos outros lugares.

“Não acredito que haverá um precedente nos EUA que possa se comparar a isto, exceto talvez a Corrida do Ouro”, disse Leslie Bocskor, cuja firma de capitais privados em Nevada, a Electrum Partness, assessora e investe em empresas ligadas à maconha.

A atração da riqueza em uma indústria pouco conhecida é tão grande que milhares de pessoas estão competindo por uma posição, disse Bocskor.

Desde janeiro, 115 novas empresas da Califórnia aderiram à Associação Nacional da Indústria da Cannabis, elevando a 330 o total de associados no Estado, segundo seu vice-diretor, Taylor West.

Entre as novas empresas estão plantadores, dispensários, laboratórios, firmas de advogados, contadores, desenvolvedores de software, seguradoras e outras, disse ela.

Seu desafio é montar uma infraestrutura para um negócio que ainda não é legal. Conway e seu sócio, Ross Haley, executivo-chefe da General Hydroponics, por exemplo, compraram recentemente terras agrícolas no norte da Califórnia que esperam usar para plantar maconha, mas não dizem isso antes que a medida seja aprovada.

A Terra Tech, sediada em Newport Beach, tenta se preparar para as vendas recreativas enquanto constrói uma empresa legal no mercado medicinal de maconha no Estado, que hoje tem vendas de US$ 2,7 bilhões (R$ 8,8 bilhões).

A empresa gastou mais de US$ 800 mil para projetar e reformar seu dispensário em Oakland, para que pareça mais um clube requintado do que uma clínica médica, segundo seu executivo-chefe, Derek Peterson. Também desenvolveu embalagens coloridas para sua maconha, em vez de apresentá-la em recipientes para remédios.

Apesar desse otimismo, a aprovação da medida na Califórnia não é certa. Ela é combatida por muitos grupos judiciais e de saúde que ajudaram a derrotar a iniciativa em 2010.

Mas desta vez os apoiadores têm os bolsos fundos do ex-presidente do Facebook Sean Parker, o apoio de Newsom —um democrata que deverá se candidatar a governador em 2018— e uma mudança de atitude entre os eleitores que viram a legalização se concretizar em outros Estados.

A medida permitiria que adultos de 21 anos ou mais possuam até 28,7 g de cannabis e cultivem até seis plantas, e define regras para o cultivo comercial, a manufatura e a venda. Ela inclui regras para manter os produtos da cannabis longe de crianças, evitar que pessoas dirijam sob seu efeito e exigir que os vendedores tirem licenças.

Newsom disse que a apoia como uma maneira de administrar a legalização de modo responsável, o que considera inevitável, mas que é necessário conduzir com cuidado.

“Como pai de quatro crianças, que não gosta da droga e não gosta do cheiro, não quero que meus filhos pensem que está normalizada. Essa é minha preocupação número um”, disse Newsom.

Com informações de Folha de S. Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *